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domingo, 28 de junho de 2020

CARTA DE FREUD À MÃE DE UM HOMOSSEXUAL

Segue abaixo, tradução da carta de Freud  escrita em 1935, em resposta a um pedido de uma mãe de homossexual para atendê-lo.
Vemos que já naquela época, Freud compreendeu  que homossexualidade em si não era motivo para análise, isot é, para tratamento, inclusive  salientando que não era motivo de vergonha.
Mesmo sendo de séculos passados parece ser igualmente válida.
Seguem as imagens do manuscrito:



Vamos à carta:

"19 de abril de 1935

“Minha querida Senhora,

Lendo a sua carta, deduzo que seu filho é homossexual. Chamou fortemente a minha atenção o fato de a senhora não mencionar este termo na informação que acerca dele me enviou. Poderia lhe perguntar por que razão? Não tenho dúvidas que a homossexualidade não representa uma vantagem, no entanto, também não existem motivos para se envergonhar dela, já que isso não supõe vício nem degradação alguma.

Não pode ser qualificada como uma doença e nós a consideramos como uma variante da função sexual, produto de certa interrupção no desenvolvimento sexual. Muitos homens de grande respeito da Antiguidade e Atualidade foram homossexuais, e dentre eles, alguns dos personagens de maior destaque na história como Platão, Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, etc. É uma grande injustiça e também uma crueldade, perseguir a homossexualidade como se esta fosse um delito. Caso não acredite na minha palavra, sugiro-lhe a leitura dos livros de Havelock Ellis.
 Ao me perguntar se eu posso lhe oferecer a minha ajuda, imagino que isso seja uma tentativa de indagar acerca da minha posição em relação à abolição da homossexualidade, visando substituí-la por uma heterossexualidade normal. A minha resposta é que, em termos gerais, nada parecido podemos prometer. Em certos casos conseguimos desenvolver rudimentos das tendências heterossexuais presentes em todo homossexual, embora na maioria dos casos não seja possível. A questão fundamenta-se principalmente, na qualidade e idade do sujeito, sem possibilidade de determinar o resultado do tratamento.

A análise pode fazer outra coisa pelo seu filho. Se ele estiver experimentando descontentamento por causa de milhares de conflitos e inibição em relação à sua vida social a análise poderá lhe proporcionar tranqüilidade, paz psíquica e plena eficiência, independentemente de continuar sendo homossexual ou de mudar sua condição.
Se você mudar de ideia ele deve ser analisado por mim – eu não espero que você vá – ele terá de vir a Viena. Não tenho a intenção de sair daqui. No entanto, não deixe de me responder.
Sinceramente meus melhores desejos,
Sigmund Freud”
#PsicologiaDaSexualidade
#LGBTQIA+
#Gênero
#CURAGAY
#Sexualidade

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domingo, 26 de janeiro de 2020

MANTIDA A RESOLUÇÂO CFP Nº 01/99

Já expusemos em nossa retrospectiva 2019- que o STF havia mantido a resolução CFP nº 01/99 na íntegra, isto é, psicólogos não podem oferecer qualquer tratamento para a homossexualidade, haja vista que não é doença. Dito de outra maneira, não podem utilizar-se de práticas de "reversão sexual", "cura gay".
Parabéns! Vitória! Mantida a coerência da Psicologia com os aportes científicos, teóricos e técnicos.
#ReversãoSexual
#NãoàCuraGay
#PsicologiaDaSexualidade
#Sexualidade
#GêneroESexualidade
#ResoluçãoCFPNº01/99



Acesse o site para ler a notícia completa,
https://site.cfp.org.br/stf-extingue-acao-contra-resolucao-cfp-n-01-99/
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segunda-feira, 15 de julho de 2019

DIA DO HOMEM:SOBRE MASCULINIDADES E FEMINILIDADES


V


ocê sabia que 15 de julho é o  dia do Homem ?
Como a questão de gênero é relacional abordaremos a masculinidade em relação à feminilidade. Portanto, o  masculino somente pode ser compreendido em relação ao feminino e vice-versa.
O conceito de masculinidades foi proposto na Austrália pela socióloga Raewyn Connell (1993).
CARRIGAN, CONNELL e LEE (1985) criticaram extensivamente a literatura sobre o “papel sexual masculino” e propuseram um modelo de masculinidades em múltiplas relações de poder. Não há consenso no que se refere à compreensão e aceitação do conceito, mas ultimamente implica em uma combinação da pluralidade das masculinidades e a hierarquia entre masculinidades.
Segundo  Connell, a masculinidade sofre influências históricas e depende e uma relação entre o indivíduo que busca encarnar esses valores masculinos e os demais membros da sociedade -incluindo as mulheres.
Com as revoluções industrial e sexual o ser mulher transformou-se, deslocando o homem de seu lugar, que teve que de modo desafiador ajustar-se constantemente.
E nessa dança, nesse movimento, por vezes, o homem não enxergava o seu lugar, o seu papel, emergindo o que pode-se denominar “crise de masculinidade”.
Ambra acredita que a crise de masculinidade dá-se, principalmente, no seio de sociedades que encontram-se em um nível civilizatório na qual as mulheres  gozam de maior liberdade  e o homem tem maior dificuldade em adaptar-se. Diante de tal transformação emergem os mal-estares sintomatizados em obesidade, dependência de substâncias e jogos eletrônicos, comportamentos transgressores, suicidas e no baixo rendimento escolar em garotos.
Vale comentar, ainda,  que muitas crenças e valores adentram à nossa mente, interferindo em nossas ações e, muitas das vezes, trazendo-nos sofrimento. O próprio homem arca com as consequências das crenças de que homem não chora, tem que ser forte dificultando a validação do medo e de outras emoções, que são inerentes ao humano, têm sua importância filogenética, ou seja, são necessárias à sobrevivência. Vemos também muito sofrimento na vigorexia, um transtorno no qual a imagem corporal é deturpada, o sujeito potencializa seus defeitos estéticos ou até mesmo defeitos que ela imagina possuir, a preocupação frequente e excessiva leva à prática demasiada de exercícios físicos, com prejuízo da vida acadêmica, profissional e dos relacionamentos afetivos e sociais.
Em suma, o mito da supremacia, do poder falocêntrico está sendo desconstruído em meio ao contexto contemporâneo no qual vivemos, no qual o masculino é somente um dos atores da trama. Desse modo, vejo sentido e concordo com a leitura social feita por Faludi que refere que vivemos em uma sociedade alienante tanto para homens como para mulheres. Diante desse prisma o método para compreendermos a desigualdade de gênero perpassa por vê-lo como um entre vários outros indicadores das nossas posições na sociedade. Dentre eles: cor, religião, raça, saúde física e mental, idade, escolaridade e condições socioeconômicas.

Sob esse enfoque não poderia ser compreendido sem surpresa e susto o fato de mulheres oprimidas, homossexuais apoiarem ideias, concepções conservadoras?
Do mesmo modo, entendo positivo os homens participarem ativamente das causas e movimentos femininos.
É preciso lembrar, os indicadores de feminicídio no país em 2017, isto é, crime motivado pelo fato de a vítima ser mulher, que são alarmantes, resultando em 946, apesar da Lei Maria Penha  ter sido homologada há mais de 12 anos.
Para que a  boa lei Maria da Penha reverta-se em resultados efetivos em redução nos índices de violência contra a mulher  há que romper com o ciclo vicioso desse tipo de violência.
Para isso a mulher há que refletir sobre sua função nessa relação abusiva e transmutar-se.
Meu posicionamento enquanto profissional da psicologia sempre foi no sentido de que a violência de gênero precisa ser enfrentada em várias frentes, inclusive pelo trabalho a ser desenvolvido com grupo psicoterapêuticos,  psicoeducativos  ou de apoio para os homens.
Aí a Psicologia encontra seu campo,  ou seja, que a família tome conhecimento de seu funcionamento e descubra  alternativas para o mesmo.
Com base na compreensão contextualizada de masculinidades, de que o feminino somente faz sentido em relação ao masculino em vez de  travarmos uma guerra dos sexos por que  não encontrarmos, então,  não mais o homem ou a mulher,  mas  o ser humano?  O que deseja a mulher? O que quer o homem?  Qual o caminho para o amor?   
Quantos sangues misturados de “casais” ainda vamos ver?
Perguntas ainda instigantes, não?  Por vezes, não teriam o homem e a mulher o mesmo objetivo? A felicidade, o prazer advindo do real encontro com um outro sujeito?  E a arte do encontro requer um  outro diverso, não à sua própria imagem narcísica, um outro não objetalizado.   Amar implica em um outro  não sangrando,  não mutilado, mas por inteiro.
Para finalizar deleite-se com a música de Gilberto Gil, para todos homens e mulheres.....
  

REFERÊNCIAS:
CARRIGAN, T.; CONNELL, R. W.; LEE, J. “Toward a New Sociology of Masculinity.” Theory and Society, v. 14, n. 5, p. 551- 604, 1985.
CONNELL, R. W.,”Masculinities”.1993

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